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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

OFICINA VIRTUAL

   Olá, pessoas! A nossa oficina finalmente se realizou, nos empenhamos bastante e agradecemos aos que foram nos prestigiar!

     Hoje vamos trazer uma OFICINA VIRTUAL para  aqueles que não puderam assistir nossa apresentação. Então vamos lá...

Nossa apresentação se baseou no seguinte roteiro:

• Introdução aos assuntos da Oficina
• Introdução aos conceitos básicos de Arquivologia
• Principais acontecimentos da datiloscopia 
• Legislação brasileira sobre uso da digital
• Usos da digital do cotidiano
• A impressão digital como documento arquivístico
• Desafios da utilização da digital

    Nós somos as Meninas de Diplomática. Larissa, Laila, Arlinda (que nos acompanhou referente a atividade de Arquivo Permanente 1), Lorena e Daniela, respectivamente. Estamos no 5º semestre de Arquivologia. Esse semestre estamos cursando uma disciplina que se chama Diplomática e Tipologia Documental (DTD).


Meninas de Diplomática

            Nosso tema é " A digital em um documento arquivístico". Mas antes disso, vocês sabem o que é Arquivologia? Já ouviram falar do nosso curso? Conhecem um pouco da nossa aérea de atuação? NÃAOOOO?! 
          Pois bem, de forma resumida, é uma área do conhecimento que estuda e trata os dados contidos nos documentos arquivísticos que tem por objetivo maior a prova das ações de pessoas físicas e/ou jurídicas no decorrer de suas atividades. Além disso, esses dados podem ser transformados em informações potencialmente capazes de produzir conhecimento e desenvolvimento social.

          A digital em si, essa marquinha que te identifica e que é única, não é um documento. Porém ela é a fonte de informação referencial que pode criar ou fazer parte de um documento arquivístico. As impressões papilares podem se dividir em três: impressões digitais (dedos), palmares (mão) e plantares (pés). O estudo e a análise de impressões papilares é chamado de papiloscopia e para as impressões digitais é chamado de datiloscopia.
               Agora vamos falar um pouco sobre as características da digital.
Princípios científicos que motivaram que se reconhecesse a Papiloscopia como ciência:


  •     Perenidade: duradoura, exceção dos idosos.
  •   Imutabilidade ou Inalterabilidade: apesar de sofrer pequenas mudanças ao  longo dos anos.
  •    Variabilidade/Unicidade: variam de pessoas para pessoas e não se repetem.
  •   Universalidade: Todo ser humano possui impressões papilares, entretanto nem todas podem ser registradas, pois existe uma enfermidade chamada queratodermia - excesso de queratina preenche os relevos das papilas, impedindo sua leitura. 


            Outro fato, não muito comum (atinge apenas 3 mil pessoas no mundo) é a Síndrome de Nagali, considerada um defeito genético raríssimo que impede a formação das digitais no feto.

      Além dos princípios acima, a digital ainda possui essas duas características referentes ao seu registro:

  •     Classificabilidade: facilmente arquivados por meio de códigos, o que possibilita sua recuperação (assim como os documentos);
  •    Praticidade: a obtenção das impressões digitais é simples, rápida e de baixo custo.Entretanto, é exatamente por isso que ela pode ser facilmente reproduzida em moldes de gelatina e silicone, por exemplo, foi o que aconteceu SP, médicos confeccionaram dedos de silicone para fraudar o controle biométrico de frequência.

Caso Will e Willian West
          O primeiro processo considerado processo científico de identificação era o Sistema Antropométrico que utilizava medidas físicas coletadas para identificação, esse processo de identificação possui aqueles princípios fundamentais que falamos anteriormente. Entretanto, esse método não diferencia gêmeos idênticos, e por isso começou a ser questionado, tendo em vista que identificação é diferente de reconhecimento. No caso Will e Willian West, não se sabe se eles eram apenas irmãos ou se eram irmãos gêmeos, o que se sabe é que Willian já estava preso e cumpria sentença por assassinado quando encontraram Will. Foi esse episódio que ensejou a troca do Sistema Antropométrico pelo Sistema Papiloscópico.

       A primeira vez na história que se tem notícia do uso de impressões digitais para identificar positivamente uma pessoa foi no século II a.C., onde governantes chineses usavam-nas para lacrar documentos importantes. No século VII, nos casos de divórcio, em que o marido tinha que dar um documento para a divorciada autenticado com suas impressões digitais. Foram também os chineses que primeiro empregaram as impressões digitais para fins criminais.

       Em algumas passagens da Bíblia foram encontradas referências ao uso das impressões papilares, como podemos ver no cartaz, trouxemos aqui um exemplo em Jó 13:27 "Também pões os meus pés no tronco, e observas todos os meus caminhos, e marcas os sinais dos meus pés."

Histórico da Datiloscopia


           Os homens primitivos já tinham por hábito pôr suas mãos e dedos nas paredes de suas cavernas. Por exemplo, foram encontradas pinturas com aproximadamente 17 mil anos em cavernas na França, nessas imagens observamos que foi utilizada a técnica das mãos em negativo (coloca a mão na parede e joga a tinta por cima). E também no Brasil em Monte Alegre no Estado do Pará foram encontradas pinturas rupestres com mais de 11 mil anos.
               
             A primeira vez na história que se tem notícia do uso de impressões digitais para identificar positivamente uma pessoa foi no século II a.C., onde governantes chineses usavam-nas para lacrar documentos importantes. No século VII, nos casos de divórcio, em que o marido tinha que dar um documento para a divorciada autenticado com suas impressões digitais. Foram também os chineses que primeiro empregaram as impressões digitais para fins criminais.


         No século IX na Índia, os analfabetos tinham seus documentos legalizados com suas impressões digitais.

       O primeiro caso autêntico de identificação de um autor de crime por meio das impressões digitais, ocorreu em 1892. Um marco importante, no Brasil, ocorreu em 1903 com o Decreto 4.764, que em seu artigo 57 regulamenta a identificação de delinquentes com a combinação de todos os processos atualmente em uso: retrato falado, observações antropométricas, sinais particulares, cicatrizes e tatuagens, impressões digitais, fotografia. E considera, para todos os efeitos, a impressão digital como prova mais concludente e positiva da identidade do indivíduo. Esse decreto atualmente encontra-se revogado.
Exemplos de Biometria

    Depois desse histórico sobre a datiloscopia vamos entender o que seria a Biometria. Bio(vida) + metria (medida) é o estudo estatístico das características físicas ou comportamentais dos seres vivos. Isso quer dizer que cada pessoa tem uma assinatura biológica única, como o padrão das veias sanguíneas da mão, o formato do rosto ou a impressão digital, que pode ser usada para identificá-la.

Tipos de dados biométricos:

Fisiológicos: diretamente relacionados à forma do corpo. Exemplos: impressões digitais; reconhecimento facial; geometria das mãos e dos dedos; reconhecimento da íris; reconhecimento da retina; geometria das veias; reconhecimento da arcada dentária.

Comportamentais: relacionam-se diretamente ao comportamento de uma pessoa. Exemplos: padrão de digitação; reconhecimento de assinaturas; reconhecimento de voz.
      No nosso caso estamos falando especificamente das impressões digitais do dedo polegar da mão que é utilizado para fins administrativos e de prova com a função de nos identificar. A impressão digital funciona com o reconhecimento dos padrões de sulcos da pele dos dedos da mão. Cada pessoa tem um desenho diferente e único, que pode ser usado para identificar um indivíduo.


           Podemos não nos dar conta, mas utilizamos a digital de diversas maneiras, vamos conhecer um pouco:

Acesso à conta bancária (caixa eletrônico)

       O uso da biométrica digital para acesso a conta bancária se dá como mais um elemento de segurança para o cliente, de forma que possa assegurar que quem está acessando determinada conta é de fato o seu titular, identificando-o por meio da digital.

      Os bancos estão adotando a tecnologia de forma gradual e não obrigatória. Por enquanto, a biometria serve como uma proteção extra à senha e cartão. No caso de perda do cartão do banco, a pessoa também pode usar a biometria para acessar a conta, sem ter que esperar o segundo cartão.

       As dúvidas e argumentações contra a biometria mais comuns são sobre sua segurança e a exigência de serem pessoais — outra pessoa não pode movimentar a sua conta quando você não tiver condições, por exemplo.

      Sobre a segurança da biometria, os especialistas garantem que a tecnologia é muito segura e extremamente difícil de ser burlada. O medo comum é o de ter uma parte do corpo cortada por um bandido que queira acessar sua conta e roubar seu dinheiro ou, ainda pior, ser sequestrado e obrigado a sacar o dinheiro no terminal. 
Ela pode substituir a senha e o uso do cartão, nesse contexto ela não seria apenas mais um requisito de segurança para dar acesso a conta, mas seria o único requisito para dar acesso, como se fosse uma chave de acesso, uma senha.





Documentos de identificação ( título de eleitor, ficha funcional)

     A identificação biométrica já usada nas eleições como forma de substituir a identificação mecânica pelo mesário no caderno de eleitores, o grande intuito é evitar fraudes.

     O processo de identificação confirma a identidade de um indivíduo, comparando o dado fornecido com todo o banco de dados de digitais já registradas. Na ficha funcional a digital aparece como mais informação de identificação do funcionário. Sendo um elemento obrigatório para esse tipo de documento dentro do contexto do IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal) – autarquia extinta do Ministério da Agricultura.





Controle de frequência (órgãos públicos e empresas privadas)


       O controle de freqüência por meio do ponto eletrônico que captura a digital, também pode ser considerado um documento arquivístico, pois ele registra a presença do servidor por meio da identificação da digital. A captura da digital que fica registrada no banco de dados comprova que o servidor esteve presente em determinada hora e em determinado local.





Controle de acesso (academias, ônibus, condomínios residenciais)


      O uso da digital como acesso ao condomínio identifica que aquela pessoa é moradora, uma vez cadastrada, o uso da digital dá acesso ao condomínio pelo morador. Na academia, com a identificação da digital comprova que aquela pessoa pode ter acesso ao estabelecimento, podendo entrar e sair usando a digital para se identificar.

Controle de acesso (celular pessoal)

Iphone 5s
          Como o sistema é capaz de armazenar múltiplas impressões digitais, é possível usar qualquer dedo, inclusive de outra pessoa, para desbloquear o aparelho, desde que ele tenha sido cadastrado previamente. Se o sensor falhar ou você machucar seu dedo, ainda será possível acessar o aparelho. Sua impressão digital serve para desbloquear o iPhone, mas não apenas isso: ela também poderá ser usada na iTunes Store, na App Store e na iBooks Store, assim, não será necessário digitar a senha para confirmar compras de músicas, aplicativos ou livros. 


      Muitos aparelhos eletrônicos possuem a tecnologia de identificar o usuário para o desbloqueio do celular, dando acesso ao usuário, dessa forma pode-se dizer que da mesma forma pode–se dizer que a digital é intransferível, pois é necessário o usuário se identificar, estar presente. Diferente da senha que embora tenha a mesma característica, as pessoas passam para outras.




Perícia criminal (coleta de digitais para identificação do criminal e de pessoas presentes na cena de crime)


        No caso da perícia a digital está envolvida em dois momentos diferentes. Primeiro, quando a perícia faz a coleta de dados de digitais para depois identificar a pessoa, o autor do crime e as pessoas envolvidas (vítimas, suspeitos). E no momento de identificação, buscar no banco de dados se a digital coletada corresponde com alguém que já passou pela polícia.




Sobre a Análise do Documento escolhido...





Ficha Funcional 
Bom, pessoal... para a nossa oficina tivemos que escolher um documento que tivesse relação com o tema (AS DIGITAIS) e que nos possibilitasse uma análise da nossa área de estudo. 
            Escolhemos a Ficha Funcional do Fundo Fechado do IBDF - Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal-  que hoje está no IBAMA. Essa Ficha Funcional pertence ao Carlos e é do ano de 1985. Apesar desse documento ser uma cópia, podemos observar que possui o registro da digital. Acreditamos que seja mais uma maneira de validar o documento, pois se torna mais um elemento de segurança que faz o registro do Carlos, ser realmente do Carlos. 

         Partimos do pressuposto que a digital é uma fonte de informação referencial, afinal, pois ela faz referência a alguém, além disso, se ela estiver nesse documento aqui sozinha, ela não teria nenhum sentido, pois seria como uma assinatura/marca perdida num papel. A digital apesar de ter potencial para criar um documento, é comumente visualizada como parte de um documento.


           Logo abaixo está o fluxo do da Ficha Funcional, o qual foi elaborado no Bizagi.

Fluxo do Documento

A análise:
A espécie é Ficha Funcional
O formato é ficha.
A forma é cópia (não foi encontrada a original).
O gênero é textual e imagético. 

O Produtor arquivístico é IBDF  e o IBAMA é a entidade custodiadora.


Os Sinais de Validação são timbre, carimbo, registro/autenticação (perfuração de segurança) do Ministério do Trabalho e Emprego e as impressões digitais.

    Consideramos o documento autêntico e verídico, pois ele seguiu o trâmite descrito aqui no fluxograma e foi produzido por autoridade competente e as informações contidas no documento parecem ser verdadeiras.

     A ficha funcional, pelo CONARQ é classificada em 020.5 - assentamentos funcionais (fase corrente enquanto o servidor permanecer – o prazo total de guarda de documentos é de 100 anos – eliminação) e sua destinação final deveria ser a eliminação, porém para fins didáticos consideramos que o documento possua valor permanente, por ter sido selecionado (pelos arquivistas em situação hipotética) como uma amostra a partir do conjunto de fichas funcionais. A ficha selecionada possui caráter exemplificativo de registro de funcionários na época (que inclusive em 1985 continha impressões digitais). 

     Partindo do pressuposto que a digital é parte de um documento, compreendemos que ela terá função arquivística a depender do contexto do documento em que está registrada, ou seja, se o documento em que a digital estiver tiver função arquivística, a digital também terá. A imagem abaixo exemplifica melhor: 
A relação da digital e a função arquivística

    Algo bastante comum nos dias atuais é a dependência da sociedade, como um todo, às ferramentas e instrumentos tecnológicos. Afinal, nós sabemos que precisamos de tecnologia para estudar, trabalhar e também nos comunicar. Na área de arquivologia é comum escutarmos que precisamos de tecnologias para que nosso trabalho seja feito de forma mais precisa e segura nesse mundo cada vez mais automatizado.  

     Como é possível observar, é cada vez mais comum que nossos dados e até mesmo as nossas digitais estejam registradas em documentos físicos ou em bancos de dados. Mas será que esse registro da digital é fiel as características inerentes a mesma? Será que ela permanece perene e inviolável? Nós percebemos que não. Não é que a digital em si possa ser manipulada, mas seu registro sim. A tecnologia possui suas falhas, então o ato de registrar a digital é passível de fraudes. 

      Para que a digital seja utilizada com todo seu potencial de estudo e de criação de documentos, é preciso que as ferramentas tecnológicas nos forneçam um ambiente e um método seguro de registro para que sejamos identificados cada vez mais de forma simples e única, que é o que de mais inovador as digitais nos proporcionam. A digital a depender da tecnologia que o registra, pode ser utilizada com segurança e se tornar um fator prático e inerentemente autêntico para nos identificar.


Para registrarmos a passagem das pessoas pela nossa apresentação na Oficina, propomos que após as explanações, cada pessoa assinasse com a sua digital. O resultado é interessante:



Além disso, após "assinarem" no cartaz, as pessoas levaram para casa um Certificado de Participação em Oficina. 






Logo abaixo, mais fotos do dia:






Petição Pública que consta o campo para utilizar a digital
como forma de identificar a pessoa


Roteiro da Oficina


 BANNER


Esperamos que por meio dessa publicação, você que não pôde nos assistir ao vivo e a cores, fique por dentro de tudo que aconteceu. 


Saudações das Meninas das Digitais! :*
.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Parte histórica da Datiloscopia

HISTÓRICO

A Datiloscopia possui cinco princípios fundamentais: perenidade, imutabilidade, variabilidade, a praticidade e a classificabilidade. O termo “Datiloscopia” foi criado pelo argentino Francisco Latzina em 1894.

A grande vantagem do método datiloscópico é justamente sua aplicação à população civil. Nesse sentido, Aurélio Buarque de Holanda define a Datiloscopia como o “sistema de identificação por meio das impressões digitais”, essa definição tem um caráter mais técnico e menos preconceituoso.

Somente em 1664 com os trabalhos científicos do italiano Marcello Malpighi, doutor em medicina e filosofia, biólogo, fundador da anatomia microscópica, que as impressões digitais passaram a ser estudadas de forma científica.

Em 1788, o alemão Johann Christoph Andréas Mayer ao afirmar que “as combinações das cristas papilares nunca se duplicam”, seria o primeiro a detectar o princípio da Variabilidade (ou Unicidade), que só seria confirmado em 1877, pelas observações de Willian J. Herschel, e posteriormente utilizado por Francis Galton.

Mas foi a partir de 1823 (até então as impressões digitais ainda não tinham sido empregadas com o objetivo de identificar as pessoas) que Johannes Evangelist Purkinje, médico, professor de fisiologia e patologia, descreveu e classificou em seu livro as impressões digitais em nove tipos.

Em 1856, José Engel publicaria o “Tratado do desenvolvimento da mão humana”, e como previsto por Purkinje, reduziu esses nove tipos em apenas quatro (Kehdy, 1962, p. 39), servindo de base para os estudos de Vucetich, além de afirmar que os desenhos digitais existem desde o sexto mês da vida fetal, base do princípio da Perenidade. Era a primeira tentativa de classificação científica que serviria de base também a Mateo Francisco Alix, anatomista francês, que em 1868 expôs a forma dos desenhos plantares em seu artigo de 1867.

Mas foi apenas em 1877 que Willian Herschel usou oficialmente, pela primeira vez, as impressões digitais para identificar os nativos na Índia, quando estava no governo de Bengala, onde era comum usar as impressões digitais para contratar e pagar funcionários. Até então ele não se preocupava com a classificação das impressões digitais, pois o objetivo era apenas evitar pagar 2 vezes o mesmo funcionário. Posteriormente, Herschel aplicou este raciocínio nas prisões com o fim de reconhecer os reincidentes que usavam nomes diferentes. Devido à eficácia desse método de identificação, a Índia Inglesa sancionou uma lei para uso desse sistema.

À mesma época foram desenvolvidos os trabalhos de Henry Faulds, médico escocês que fundou o Hospital Tsukiji em Tóquio, Japão, em 1875. Nesse período, dois casos teriam importância significante na vida de Faulds. Perto de sua casa um ladrão escalou uma parede e deixa ali suas impressões digitais. A polícia encaminha-lhe uma segunda pessoa e Faulds confirma sua identidade, ao afirmar serem suas impressões as mesmas encontradas na cena do crime. Posteriormente ocorre outro furto na casa de um vizinho seu. A polícia recorre a Faulds e no local do crime ele encontra as impressões do ladrão, devido ao suor de suas mãos. Confrontando-as com as de seu arquivo particular, diante dessa evidência o criado confessa o crime. Esse arquivo particular foi considerado o primeiro banco de dados de impressões. Assim, pela primeira vez na história da Datiloscopia, são descobertos autores de crimes por meio das impressões digitais.

Faulds foi o primeiro a conceber a ficha decadactilar ao coletar as impressões digitais, utilizando-se de tinta e de uma placa de estanho e foi também o primeiro a apontar as formações papilares nos dedos das múmias.

Francis Galton, médico e antropólogo, nasceu na Inglaterra. Primo-irmão de Charles Darwin, ele tinha suas pesquisas voltadas para o campo da antropologia e nenhum relacionamento com a área criminológica. Em seu livro “Fingerprints” (Campbell, 1998), Galton explorou os estudos dos aspectos hereditários das impressões digitais.

Em 1880, Galton tomou conhecimento dos trabalhos de Henry Faulds e Willian Herschel e encontrou nos trabalhos de Purkinje as bases para sua classificação datiloscópica. Uma das grandes obras de Galton foi sintetizar os conhecimentos e trabalhos de seus antecessores.

Em 1901, juntamente com Karl Pearson, Galton funda a revista Biometrika, que visava estudar estatisticamente os problemas biológicos, e assim estava criado o termo “Biometria”. O objetivo principal da biometria era obter material que conseguisse dar um grau de precisão suficientemente grande para se medirem as mudanças incipientes na evolução.

O modelo da ficha decadactilar de Vucetich, onde as impressões digitais são impressas, consistia numa folha de papel de 20 x 9 cm, dividida em 2 partes, sendo que na inferior ficariam os dedos da mão direita e na superior a mão esquerda, dos polegares aos mínimos, dispensando o uso das simultâneas. Originalmente a ficha reservava as seguintes dimensões para os dedos (Kehdy, 1962, p. 317):

- Polegares: 35 mm;
- Indicadores: 30 mm;
- Médios: 30 mm;
- Anulares: 30 mm;
- Mínimos: 25 mm.

Atualmente usamos praticamente a mesma ficha, apenas com o detalhe que invertemos a posição das mãos, a direita é a superior e a esquerda a inferior, e, em seu verso, coletamos as impressões dos dez dedos simultaneamente. 

Planilha Datiloscópica adotada pelo Instituto Nacional de Identificação


NO BRASIL

Foi realizado pelo Instituto Nacional de Identificação um histórico completo sobre a identificação no Brasil e está disponível no link abaixo.




quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Arquivando Novos Documentos

           O tema escolhido pelo grupo, como antes já descrito em uma atividade recente feita aqui no blog, é "curioso" e ao mesmo tempo um grande desafio, já que a biometria digital, apesar de se tornar sinal de validação de documentos, não é propriamente documento de arquivo convencional. A grande questão e proposta do grupo é apresentar a ideia de que as digitais, por inúmeros motivos, poderão se tornar uma fonte de informação de grande valor, inerentemente autêntico e que cada vez mais, é utilizado, tendo como consequência o abandono de cartões, senhas, dados e códigos, se tornando um elemento tão único em termos biológicos, quanto arquivísticos. 

Modelos de análise Diplomática e Tipológica:

Documentos (1) Registro de Comparecimento 





   Regulamento pelas Resoluções do TSE nº 23.335/2011 e nº 23.366/2011, o recadastramento biométrico (cadastramento das impressões digitais dos eleitores) está sendo realizado gradativamente pela Justiça Eleitoral em todo o país, com objetivo de garantir um sistema de votação mais seguro.

   A medida  impede que uma pessoa tente se passar por outra no momento da identificação em um pleito -já que não existem impressões digitais iguais - e faz parte do Programa de identificação Biométrica do Eleitor brasileiro. Segundo dados de março de 2015, mais de 24,5 milhões de eleitores brasileiros já que estão aptos a serem identificados pelas impressões digitais nos pleitos realizados pela Justiça Eleitoral.
       

Documento (2) - Registro de Frequência
                                 

         As aplicações biométricas para o gerenciamento de recursos humanos cresce à medida que as empresas buscam melhores formas de contabilizar empregados e recursos. A biometria pode aumentar a eficiência, a comodidade e reduzir fraudes. Os sistemas de controle de presença são responsáveis pela coleta do tempo de trabalho, mas exatamente pelos horários de entrada e saída. Controle de presença por biometria são usados hoje em escolas e faculdades, fábricas, lojas, escritórios, hospitais e em muitos outros locais de trabalho. São bastante úteis nos ambientes onde os funcionários ganham por hora e onde existe o trabalho em turnos.

       No Brasil o REP (Registrador eletrônico de ponto) foi estabelecido pela portaria 1510 do MTE e será o único equipamento aceito para o registro de ponto a partir 1º Março de 2011. Para o Ministério do Trabalho e Empreso do REP ( Registrador Eletrônico de Ponto) é o "equipamento de automação utilizado exclusivamente para o registro de jornada de trabalho e com capacidade apara emitir documentos fiscais e realizar controles de natureza fiscal, referentes à entrada e à saída de empregados nos locais de trabalho". 

Pontos Analisados

  Autenticidade: A digital pode ser considerada autêntica no contexto na qual está inserida. Quando o trâmite de sua captura seguiu os procedimentos determinados em razão de uma atividade solicitada, de acordo com fundamentos que embasem a sua captura, como neste caso da determinação judicial do recadastramento biométrico da justiça eleitoral e também no caso de comprovar o dia trabalhado.


  Unicidade: No decurso da vida, não nasce nenhuma papila nova nem desaparece nenhuma. Até queimaduras e incisões não as alteram a ponto de impedir a sua identificação. Essas papilas dérmicas são únicas, pois, não existem duas impressões idênticas. “Seu corpo, sua senha.”


   Inter-relacionamento: Nos dois casos, o uso das digitais é a porta de entrada para o reconhecimento e para a obtenção de outros dados do indivíduo. Então, obviamente, a digital não atua sozinha neste contexto. Sendo uma forma mais fácil de evitar fraudes. 


      Formato: Registro datiloscópico em documento de identificação.


     Gênero: Nos dois casos podemos perceber que a biometria digital ou está inserida em um documento com gênero textual ou gerará um da mesma forma. Agora quanto a digital em si, podemos julgá-la como de gênero imagético


      Suporte: Papel e/ou ambiente virtual.


    Sinais de validação: A própria digital, com o poder de gerar outras informações e documentos, é um sinal de validação.


   Tipo: Documento 1: Registro de Comparecimento nas eleições e identificação do eleitor.
              Documento 2 Registro de Frequência para comprovação da jornada de trabalho e identificação do trabalhador.

   Função: Documento 1: Utilização da digital para registrar o comparecimento do eleitor nas eleições e identificação do eleitor, visando combater fraudes ideológicas nas votações.
                   Documento 2: Utilização da digital para comprovação da jornada de trabalho e identificação do trabalhador.